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William Wallace é o maior dos heróis escoceses, indiscutível líder da resistência
escocesa durante os primeiros anos da longa, e no final bem sucedida, luta para liberar
a Escócia do domínio inglês no final do século 13.
Registros da vida de Wallace são esparsos e muitas vezes inexatos. Porque antigas
descrições dos seus feitos heróicos são especulativos, e também porque ele inspirou
tamanho medo nas mentes dos escritores ingleses que eles o transformaram num verdadeiro
demônio. |
Muitas das histórias sobre Wallace remontam ao romance do fim do século 15 chamado
"The Wallace", que é veementemente anti-inglês. Os contos mais populares sobre Wallace
não têm evidência documental, mas eles se fixaram na imaginação popular. Wallace
representou o espírito do homem comum aspirando por liberdade contra o opressor e
expôs a nobreza escocesa da época como um grupo de oportunistas sem princípios.
Diferentemente dos nobres escoceses coniventes que colaboraram com os ingleses em
troca de favores financeiros, Wallace nunca procurou fama pessoal nem se beneficiou
dela, ele não obteve nem riquezas nem terra.
Wallace nasceu por volta de 1270, provavelmente perto de Ellerslie (atual Elderslie),
em Ayrshire, Escócia. Seu pai foi Sir Malcolm Wallace, pequeno proprietário de terras
e pouco conhecido cavaleiro escocês. Acredita-se que sua mãe foi filha de Sir Hugh
Crawford, xerife de Ayr, e acredita-se que ele teve um irmão mais velho chamado
Malcolm.
Quando Wallace nasceu, Alexander III já estava no trono escocês por mais de 20 anos,
seu reinado estava sendo um período de paz, estabilidade econômica e prosperidade. Ele
defendeu-se com sucesso das contínuas reinvidicações de anexação inglesas. Na
Inglaterra rei Edward I subiu ao trono em 1272.
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Não há muita informação confiável sobre os primeiros anos de Wallace. Acredita-se
que ele passou sua infância em Dunipace, próximo à Stirling, com seu tio, que era
um padre. Provavelmente ele teve uma infância confortável.
Em 1286, aos 16 anos, Wallace preparava-se para cursar a vida na igreja. Naquele
ano o rei Alexander III morreu, ao cair num penhasco durante uma tempestade, sem
deixar herdeiros ao trono. Sua neta, Margaret, foi declarada rainha da Escócia, mas
ela tinha apenas 4 anos de idade e morava na Noruega. Um governo provisório,
“os guardiões”, foi estabelecido para governar o pais até que Margaret tivesse idade
suficiente para assumir. Contudo, o rei inglês Edward I tirou vantagem da instabilidade
da sucessão escocesa. Ele combinou com os guardiões que Margaret se casaria com seu
filho e herdeiro Edward de Caernarvon (mais tarde Edward II da Inglaterra), mas a
Escócia manteria sua condição de país independente. |
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Margaret ficou doente e inesperadamente morreu em 1290 com 8 anos de idade quando
estava indo da Noruega para a Inglaterra para seu casamento. Então surgiram 13
pessoas reinvindicando o trono escocês.
Nesta época a Escócia estava praticamente ocupada pela Inglaterra e também
envolvida com seus próprios conflitos internos.
Os guardiões conspiravam uns contra os outros, alternando sua
lealdade com o rei Edward I ou contra ele, dependendo da situação. Enquanto isso
tropas inglesas operavam livremente pela Escócia. A vida civil era precária, os
abusos contro o povo eram frequentes. Os guardiões pouco fizeram para manter a lei
e proteger os escoceses das atrocidades inglesas.
Neste clima sem lei o pai de Wallace foi morto num conflito com tropas inglesas em
1291. É possível que a morte de seu pai nas mãos dos ingleses tenha contribuído para
o desejo de Wallace lutar pela independência de seu país. Contudo, pouco é conhecido
sobre sua vida neste período, com a excessão de que ele tornou-se um fora-da-lei
movendo-se constantemente para evitar os ingleses e ocasionalmente confrontando-os
com sua característica ferocidade.
Na ausência de um claro successor ao trono escocês, os pretendentes solicitaram o
julgamento do rei inglês Edward I. Os três principais candidatos eram John de Balliol,
Robert de Bruce e John de Hastings. Em 1292, Balliol foi escolhido como rei por uma
comissão cuja metade dos membros foram escolhidos por Bruce e a outra metade por
Balliol.
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Contudo, os motivos de Edward I não eram o de ajudar os escoceses como um árbitro.
Ele viu-se como um superior feudal da coroa escocesa e queria instalar um monarca
escocês que ele pudesse manipular. Balliol fez um juramento de lealdade a Edward I, o qual
tentou exercer seu domínio intimando Balliol a lutar contra a França (na
época a Inglaterra estava em guerra contra a França). Além disso, em 1295, um tratado
foi negociado entre Edward I e a França: estabeleceu-se que o filho de John de
Balliol, Edward, casaria com a sobrinha do rei francês. Edward também intimou a
entrega de 3 castelos escoceses. Balliol recusou e foi intimado a ir à corte em
Londres, Balliol não foi e a Guerra era inevitável.
Edward I marchou para o norte com seu exército. Depois de uma campanha de 5 meses,
ele conquistou a Escócia em 1297. Seguindo a sua vitória ele apontou seus próprios
agentes para manter a paz na Escócia. Ele depôs e aprisionou John de Balliol e
declarou-se rei da Escócia. Ele também levou a “Stone of Destiny”, a sagrada pedra
da coroação escocesa, para Westminster em Londres.
Fora o sudeste da Escócia, o resto do país estava em desordem e crescia o desafio
contra os ingleses. Wallace envolveu-se numa luta com soldados ingleses em Ayr.
Depois de matar vários deles, ele foi preso e jogado numa masmorra e largado pra
morrer de fome. Dado como morto ele foi tomado pelos aldeões, que perceberam que
ele ainda estava vivo e tomaram conta dele. Ao retomar suas forças Wallace recrutou
vários rebeldes e começou uma sistemática e cruel perseguição aos ingleses e a seus
simpatizantes escoceses. |
Cada vez com mais apoio popular, os ataques ampliaram-se. Em maio de 1297, junto
com outros 30 homens, Wallace vingou-se da morte de seu pai, matando o cavaleiro
responsável e seus soldados. Agora, ele não era mais um simples fora-da-lei, mas um
líder militar que tinha batido um dos cavaleiros do rei Edward I, ele tornou-se o
inimigo do rei.
Embora a maior parte do país estivesse em mãos escocesas em agosto de 1297, Wallace
recrutou um bando de plebeus e pequenos proprietários de terra para atacar o resto
das forças militares inglesas entre os rios Forth e Tay. Wallace e seu companheiro, Sir
Andrew de Moray, marcharam na direção do castelo de Stirling, uma fortaleza de
importância estratégica vital para os ingleses. Os comandantes ingleses devem ter se
sentido falsamente confiantes de que os escoceses iriam fugir ou se render. Em 11 de
setembro de 1297, o exército inglês, sob ordem de John de Warenne, Conde de Surrey,
enfrentou Wallace perto de Stirling. Wallace tinha muito menos homens, mas Surrey tinha que
atravessar uma ponte estreita sobre o rio Forth antes de alcançar as posições
escocesas. Os homens de Wallace atraíram os ingleses a fazer um avanço impulsivo e
os massacraram enquanto atravessavam o rio; os ingleses perderam quase 5,000 homens.
Wallace mostrou que não era apenas um líder carismático e guerreiro, mas que também
tinha habilidade tática e militar. Nunca antes disso um exército escocês havia vencido
o agressor inglês. Wallace capturou o castelo de Stirling e naquele momento a Escócia
estava quase livre das forças inglesas.
Na época da batalha de “Stirling Bridge”, Wallace e Moray tinham menos de 30 anos de
idade e eles não eram reconhecidos pelo seus inimigos aristocratas a não ser como
meros comandantes locais. Com Wallace, os escoceses pebleus e cavaleiros, em vez dos
nobres, se uniram numa luta pela liberdade do tirano estrangeiro. Enquanto a nobreza
escocesa usualmente cedia às demandas inglesas por fidelidade, a força patriótica de
Wallace manteve-se dedicada à luta pela independência escocesa.
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Em outubro de 1296, Wallace invadiu o norte da Inglaterra e destruiu os condados de
Northumberland e Cumberland. Retornando para a Escócia em dezembro de 1297, ele foi
proclamado cavaleiro e guardião do reino, reinando em nome de Balliol que era
prisioneiro dos ingleses. Em menos de 6 anos ele saiu do anonimato para tornar-se
Sir William Wallace, detentor de um dos mais poderosos postos no reino. Mesmo assim
muitos nobres escoceses ainda o apoiavam de má vontade.
A empolgação após a batalha de “Stirling Bridge” durou pouco. Edward I retornou para
a Inglaterra após lutar na França em março de 1298. Em 3 de julho, ele invadiu a
Escócia com a intenção de massacrar Wallace e todos os que ousavam declarar a
independência da Escócia. Em 22 de julho, Edward I, com seu exército de 90.000 homens,
atacou um exército bem menor comandado por Wallace perto de Falkirk. Estima-se que
10.000 escoceses foram mortos nesta batalha. Embora Edward I falhasse em subjulgar
completamente a Escócia antes de voltar para a Inglaterra, a reputação militar de
Wallace foi arruinada. Ele fugiu para as florestas e, em dezembro, desistiu de seu
título de guardião do reino, sendo sucedido por Robert de Bruce (mais tarde rei
Robert I) e Sir John Comyn "the Red".
Não se sabe ao certo o que Wallace fez entre o outono de 1299 até 1303. Há alguma
evidência que sugere que ele foi para a França numa missão
diplomática buscando a ajuda do rei francês Philip IV. |
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Em 1303, o Tratado de Paris efetivamente findou as hostilidade entre Inglaterra e
França e Edward I retornou seriamente à conquista da Escócia. Ele capturou Stirling em
1304, e embora a maioria dos nobres escoceses juraram fidelidade à coroa inglesa,
ele continuou a perseguir o fora-da-lei Wallace.
Em 5 de agosto de 1305, Wallace foi traído por um cavaleiro escocês a serviço do
rei inglês. Ele foi preso perto de Glasgow e levado para Londres onde negou-se
o seu status de prisioneiro militar. Ele foi julgado por assassinato de civis e foi
condenado como traidor do rei apesar de manter que ele nunca havia jurado fidelidade
a Edward I.
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Em 23 de agosto de 1305, ele foi executado. Naquela época (e pelos próximos 550 anos),
a punição para o crime de traição era que o condenado seria arrastado ao local da
execução pendurado pelo pescoço (mas não até a morte), e estripado (or drawn) enquanto
ainda vivo, suas entranhas seriam queimadas na frente dos seus olhos, ele seria
decapitado e seu corpo dividido em 4 partes. E este foi o destino de Wallace. Sua
cabeça foi empalada numa estaca e mostrada na London Bridge, seu braço direito na
ponte de Newcastle-upon-Tyne, seu braço esquerdo em Berwick, sua perna direita em
Perth e a esquerda em Aberdeen.
Edward I deve ter acreditado que a execução de Wallace quebraria o espírito dos
escoceses. Ele estava errado. Ao executar Wallace de forma tão bárbara, Edward I
martirizou um popular líder militar escocês e incendiou a determinação de liberdade
no povo escocês.
Quase que imediatamente, Robert I “the Bruce” reviveu a rebelião nacional que acabou
por conquistar a independência para a Escócia e foi coroado rei escocês em 1306.
No seu caminho para tentar reconquistar a Escócia, Edward I morreu perto de Carlisle,
na Inglaterra. |
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Centenas de anos mais tarde, no século 19, estátuas comemorando Sir William Wallace
foram colocadas próxima ao rio Tweed e em Lanark. Em 1869, o “National Wallace Monument”
foi construído numa colina próxima à Stirling. Essa imensa torre domina a área onde
os escoceses lutaram as batalhas mais decisivas contra os ingleses nos séculos 13 e
14, “Stirling Bridge” e “Bannockburn”.
Em 1995, a história de William Wallace ficou mundialmente conhecida através do
filme de Mel Gibson "Braveheart". |
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