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O século 16 foi a época da Reforma Européia: um conflito religioso entre
protestantes e católicos que dividiu a Europa Ocidental por mais de 150 anos e continua
dividindo até hoje em alguns lugares.
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Tudo começou em 1517 com um protesto, quando Martin Luther, um monge agostiniano alemão,
pregou suas 95 teses na porta de uma igreja em Wittenberg. O que começou com as dúvidas
espirituais de um monge transformou-se no movimento religioso chamado Protestantismo.
Luther retornou aos primórdios das escrituras: ao real texto da bíblia e então rejeitou
todas as convenções da igreja que lá não estavam escritas. Ele interpretou a bíblia como
a palavra literal de Deus. Especificamente, Luther rejeitou a autoridade do papa, uma
ação que usualmente levaria o autor a ser acusado de heresia e a ser queimado. Contudo
deram-lhe tempo para reconsiderar sua visão herege, o que ele fez, mas decidiu manter-se
fiel às suas idéias. Felizmente, para Luther, vários príncipes alemães garantiram sua
sobrevivência e financiaram a propagação das suas teorias. Rapidamente textos luteranos
foram distribuídos pela Europa inflamando conflitos religiosos e incitando rebeliões
por todo o mundo cristão. |
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A Reforma na Escócia:
Religião era importante para os escoceses no século 16. Socialmente, a igreja era crucial
para a vida, era responsável pela educação, saúde, bem-estar e disciplina. A igreja era
o veículo para as pessoas expressarem sua espiritualidade, e mudanças no culto colocariam
em perigo as chances de salvação, ou seja, seu futuro no céu ou inferno estava em jogo.
A reforma dividiu a igreja em facções católicas e protestantes, criando duas vias para a
salvação, as duas reinvindicando ser a verdadeira. Então era muito importante para o povo
que o estado escocês escolhesse o caminho certo.
No começo do século 16 a Escócia era uma nação fervorosamente católica, mas uma parte
da população mais educada procurava formas diferentes de espiritualidade. Roma e suas
doutrinas pareciam não se atualizar e não atender uma nação que rumava ao mundo moderno.
A Reforma estava no ar, mas apenas uma minoria favorecia o protestantismo e a ruptura
com Roma.
O rei inglês Henry VIII converteu-se ao protestantismo. O rei escocês James V precisava
de dinheiro para o estilo de vida extravagante de sua corte. Com perspicácia ele flertou
as idéias protestantes só para assustar o papa e conseguir dedução nos impostos.
Contudo, em 1542, James V morreu. Sua única herdeira era a infante Mary, Queen of Scots.
O país mergulhou numa terrível crise.
Tanto a França quanto a Inglaterra tentaram conquistar o trono escocês por intermédio
de um casamento com a jovem rainha. Inglaterra tentou forçar o casamento de Mary através
de repetidas invasões; a França ajudou a Escócia com armas e tropas. Em 1558, Mary of
Guise, a viúva de James V, conseguiu que sua filha Mary, Queen of Scots, casasse com
Francis, herdeiro da coroa francesa.
Mary foi enviada para a França e os escoceses levados aos braços de seus aliados, a
França. Havia uma cláusula no contrato do casamento que efetivamente passava o controle
da Escócia para a França. Os escoceses encaravam um difícil dilema. Se aceitassem as
condições do casamento de Mary, eles perderiam a independência para a França, senão
eles estariam adotando o mais terrível dos seus inimigos, a Inglaterra. Para os
protestantes o casamento trouxe o temor de que a França patrocinasse uma inquisição
para erradicar os “hereges”.
O ano de 1558 foi o ponto de maior desespero para os protestantes. Mary of Guise estava
em controle e Mary Tudor retornou a Inglaterra ao catolicismo. O protestantismo escocês
parecia liquidado.
Mas dentro de um ano tudo mudou. Com a ascenção da protestante Elizabeth I ao trono
inglês, os reformistas renovaram a esperança. Apenas 10% da população escocesa era
protestante, mas este número incluía alguns nobres importantes. Conhecidos comos os
“Lords of the Congregation”, eles foram liderados por James Stewart.
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Em 1559, John Knox pregou um sermão contra a idolatria em Perth o que desencadeou uma
efervescente multidão de protestantes. A iconoclastia (a destruição de imagens
religiosas) varreu a nação. Em St Andrews o exército dos “Lords” esvaziou os altares,
destruiu ícones, relíquias e pintou de branco as paredes das igrejas. As pessoas não
iriam mais se distrair da glória de Deus pelo brilho e riqueza das igrejas católicas.
As abadias e catedrais, irrelevantes à nova sociedade devota, foram deixadas para cair
em ruínas. Grande parte do legado artístico da renascença escocesa foi perdido para
sempre. |
Contudo, a mensagem não inspirou massivo suporte popular. Mary of Guise declarou os
“Lords” como rebeldes. Mas Mary of Guise morreu em junho de 1560 e a Inglaterra
mandou tropas para conter as tropas francesas. A maioria dos nobres apoiou a
rebelião; um governo provisório foi estabelecido. O parlamento escocês renunciou à
autoridade do papa e missas foram declaradas ilegais. A Escócia tornou-se oficialmente
um país protestante.
Em 1561, o inesperado retorno da católica Mary, Queen of Scots, reacendeu o problema.
Parecia que a Escócia teria que navegar pelas turbulentas águas da reforma ainda por
mais algum tempo.
A igreja protestante que foi estabelecida, desafiando a autoridade real, encontrou-se
num limbo e sob o controle de um monarca católico. Isso representava uma séria ameaça
à causa protestante. Mary tolerou a igreja protestante, mas não aprovou o ato do
parlamento escocês que abolia as missas. Mary continuava a assistir missas privadas
em seu castelo.
Mary estava tentando acabar com a crise da Reforma, esperando trazer a igreja sob o
controle real numa forma de protestantismo moderado e, por algum tempo, parecia que
ela tinha conseguido. Mas as coisas complicaram para Mary. Seu segundo marido, e pai
do rei James VI, Lord Darnley, foi assassinado. Mary então casou-se com um dos suspeitos
do crime, James Hepburn, o conde de Bothwell – um homem com muitos inimigos no reino.
Foi aí que os nobres escoceses se levantaram contra ela, orquestrando um golpe de
estado que ocorreu em 1567, quando Mary foi aprisionada e mais tarde forçada a abdicar
em favor de seu filho o infante James VI. Mary ainda conseguiu fugir para o exílio na
Inglaterra.
Seguiu-se 6 anos de guerra civil. A Escócia agora tinha um regime protestante, reinando
sobre uma população que ainda estava longe de ser convencida.
Rei James VI 1567-1625
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James VI desenvolveu suas próprias idéias sobre realeza; ele via-se como o ‘príncipe
divino’, o líder legítimo da igreja protestante. Aos poucos James afirmou seu
controle sobre a igreja protestante que estava rapidamente afundando numa crise.
Houve vários complôs para reestabelecer o catolicismo: na França os protestantes
foram massacrados; na Inglaterra os católicos foram martirizados. O protestantismo
escocês capturou o estado, mas temia ter apenas garantido conformidade e não genuína
conversão. |
Foi o rei James VI que garantiu o futuro do protestantismo na Escócia. Ele queria ter
firme controle sobre a igreja e introduziu o Episcopado – governo da igreja por
bispos apontados pelo rei. A igreja fundada por James e guiada pelos seus bispos
impregnava a genuína fé protestante nas mentes da população através do catequismo e da
adaptação de baladas populares em músicas protestantes.
Uma nova sociedade
Os reformistas queriam uma melhoria nas maneiras para criar uma sociedade divina.
O protestantismo desejava fazer o povo vir à igreja e comportar-se propriamente.
A disciplina era vista como essencial à sociedade e o instrumento usado para conseguí-la
era a igreja. Cortes foram estabelecidas nas igrejas, compostas por respeitáveis membros
da igreja e ministros, para agir como instrumento de controle social.
Pais tinham que reconhecer seus filhos ilegítimos, adultério era punido e promiscuidade
revelada. A disciplina era severa e a vigilância real na vida diária parecia ser
aceita pela população. Levou 3 gerações para conseguir, mas nos anos 1630 uma nova
sociedade começou a emergir, liderada pelos ministros “divinos” e proprietários de
terra que queriam uma parte na administração do país.
A união das coroas, 1603
O protestantismo e a diplomacia de James VI compensaram quando, em 1603, ele sucedeu
Elizabeth I ao trono inglês. Para muitos nobres escoceses um rei escocês reinando a
Inglaterra parecia ser um triunfo, mas a exaltação logo tornou-se desilusão.
Junto com o rei e a corte, que foram pra Londres, foi-se a possibilidade de títulos e
cargos para a nobresa escocesa.
Com a monarquia fora do caminho, sobrou para a igreja protestante e para os nobres
formar uma nova identidade escocesa.
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