 |
Nascido em 1274, Bruce foi o neto de outro Robert Bruce, o fracassado
pretendente à coroa escocesa em 1290. E foi o filho de ainda outro Robert
Bruce, sua mãe foi Marjorie, Condessa de Carrick.
A luta de Robert the Bruce para conseguir a coroa escocesa não foi somente
um ato nascido do seu patriotismo e, embora sua atitude tenha mudado durante
os anos, seus motivos pareciam ser mais em próprio interesse. A ascensão de
sua família à realeza parecia mais importante para os seus planos
do que liberar a Escócia da Inglaterra. Tanto Bruce quanto seu pai
apoiaram a invasão do rei inglês Edward I em 1296, esperando ganhar a coroa
depois da queda do rei escocês Balliol. Eles se desapontaram quando Edward I
auto proclamou-se rei da Inglaterra e Escócia.
Em 1297, Bruce, encorajado pelo Bispo Wishart, iniciou uma revolta em Irvine
(a razão pela qual ele não participou da batalha de Stirling Bridge). Contudo
a revolta falhou e Bruce, em vez de juntar-se a Wallace depois da vitória
escocesa em Stirling Bridge, manteve-se afastado da luta até que pudesse
determinar qual seria a reação inglesa. |
Bruce também não estava na batalha de Falkirk, na qual as tropas de William
Wallace foram devastadas, mas parece que tentou ajudar, queimando a cidade
de Ayr para não deixá-la para os ingleses em seu retorno para o sul.
Em 1298, depois da derrota escocesa em Falkirk, Bruce e John Comyn tomaram
o lugar de Wallace como os guardiões da Escócia. Mas logo eles brigaram,
Comyn era defensor da reinvidicação de Balliol ao trono, e Bruce foi substituído
como guardião um ano mais tarde. Ele continuou lutando até que parecia que Balliol
retornaria ao trono, então, uma vez mais, ele sujeitou-se ao rei inglês,
esperando pelo reconhecimento de sua reinvidicação ao trono.
Bruce não temia mudar de lado para atingir seus propósitos, e naquele tempo
isso não era prática incomum entre nobres em busca do poder.
1304 foi um ano crucial para Bruce. A morte do seu pai tornou-o um pretendente
ao trono, e a capitulação dos escoceses em face dos ataques ingleses acabou
com as esperanças de se restaurar Balliol como rei escocês. O rei inglês
Edward I tinha conquistado a Escócia, mas Bruce começou a procurar aliados
para a sua causa.
|
Em 11 de fevereiro de 1306, Bruce encontrou-se com John "The Red" Comyn na igreja
de Greyfriars em Dumfries. Não se sabe o que foi discutido, mas eles lutaram
e Bruce matou Comyn. Não parece que o assassinato de Comyn foi premeditado,
mas Bruce foi descomungado e considerado fora-da-lei enquanto a Escócia
mergulhava na guerra civil. Um mês mais tarde o bispo Wishart o absolveu
e ele foi apressadamente coroado rei em Scone no dia 25 de março de 1306.
Foi um começo desastrado para seu reino. Bruce tinha provocado guerra civil
e também guerra com a Inglaterra. Um de seus irmãos foi morto e suas irmãs,
esposa e filha foram capturadas e presas. Em junho de 1306, as forças
desorganizadas de Bruce foram vencidas em Methven e ele fugiu para o oeste,
escondendo-se na ilha de Rathlin, na Irlanda e nas ilhas Hebrides. É aqui
que ele passa para a história como o rei desapropriado, escondendo-se nas
montanhas e cavernas, sofrendo pelo bem da nação. Contudo, neste ponto, Bruce
não era herói popular na Escócia. Apenas alguns bispos e nobres estiveram
na sua posse e há evidências de que ele ameaçou muitos compatriotas para
darem seu apoio. |
 |
Então Bruce mudou de tática e teve sucesso. Ele tornou-se um comandante
de guerrilhas, ganhando pequenas vitórias. Em 1308, ele venceu os
simpatizantes de Comyn e tomou Aberdeen, estabelecendo controle sobre o
norte do país.
Ele esmagou brutalmente aqueles que se opunham a ele, forçando-os ao exílio,
mas ele também sabia como recompensar aqueles que estavam ao seu lado.
Neste ponto a sorte havia mudado para Bruce e muitas pessoas agora
voltavam-se a ele como a única esperança de salvação da tirania inglesa.
A sorte estava ao seu lado. Edward I, que estava furioso com Bruce, morreu
marchando em direção à Escócia para esmagar os rebeldes. Seu successor,
Edward II, procurou uma trégua de 2 anos com Bruce.
Em 1313, Bruce mandou um ultimato para os nobres escoceses que ainda não
o apoiavam: junte-se a mim ou seus bens serão confiscados, o que aconteceu
a muitos deles.
Comandantes de Bruce começaram a fazer ataques de surpresa nas forças
militares inglesas. Edward II teve que reagir, em 1314 ele liderou uma
força à Escócia, quando eles encontraram o exército escocês em Bannockburn,
próximo à Stirling.
Estátua de Bruce no castelo de Stirling |
Bruce escolheu cuidadosamente o local da batalha e conquistou uma tremenda
vitória sobre o grande exército inglês. Aqui foi, talvez, o maior momento
e a mais duradoura memória de Robert the Bruce – lutando pela independência
da sua nação contra uma força inglesa muito superior e vencendo, exatamente
como Wallace havia feito em Stirling Bridge 17 anos antes.
Bruce agora tinha o total controle da Escócia, contudo, ele ainda não tinha
atingido seu objetivo. A independência da Escócia e o coroa escocesa não
haviam ainda sido reconhecidas pela Inglaterra e pelo Papa e isso era
essencial para que ele tivesse crédito no mundo cristão.
Robert tentou invadir a Irlanda e convencer os irlandeses a levantar-se
contra o domínio inglês, sem sucesso. |
Na frente diplomática, os escoceses apelaram ao papa através da famosa
Declaração de Arbroath, mas não adiantou. O papa ignorou a declaração e
o reconhecimento inglês também não aconteceu. Bruce, agora bastante doente,
aceitou uma trégua de 13 anos com Edward II sabendo que morreria antes
do fim da trégua.
Contudo outro golpe de sorte ajudou Bruce a atingir suas ambições. Em 1328,
a Inglaterra caiu numa crise depois da deposição e assassinato de Edward II.
Aproveitando o momento, Bruce invadiu o norte da Inglaterra ameaçando anexar
a região à Escócia. Seu desafio não poderia ser ignorado e o governo de
Edward III foi forçado a reconhecer a coroa de Bruce e a independência da
Escócia.
Bruce morreu em 1329 e está enterrado na Abadia de Dunfermline, enquanto
seu coração está na abadia de Melrose.
|